Polippo

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Ser-Cor-De-Rosa: Fotografia Experimental

04.12.2017

Juliana Polippo*

O percurso que explora a percepção sensitiva da imagem na telemática é o “ponto reflexivo” desta série, que brinca com a matéria abstrata da palavra – unidade linguística do significado – sem deixar de difundir a ideia de representação, a medida que por si, se apropria de cores e formas como um vernáculo de estímulo do que é ser: “Ser-Cor-De-Rosa”.

A fotógrafa Juliana Polippo tentou distender a potencialidade da técnica (se é que isto é possível), pra transitar pelas questões de corporificação, bidimensional da imagem e a expansão dos instrumentos. O efeito não é propriamente apenas um gozo estético, mas um modo de se desligar dos automatismos do suporte técnico da câmera, afim de rever a presença mágica de faíscas visuais.

A narrativa foi construída tendo como base a cidade do Porto, Portugal e conceito da “fenomenológica poética” da fotografia experimental da década de 70, como subversão ao mantra cheio de pó do “instante decisivo”, de Henri Cartier-Bresson. Ou seja, o que é emoldurado aqui é o descompromisso com o fidelidade do que é retrato, com sentido de intervir na telemática como um corpo de cor e aspecto estranho. Espectro orientado pela bússola urbana e traumática da materialidade, incapaz de se demarcar como sujeito, por factualmente habitar-se como figura.

Este estudo exprime a influência das imagens na configuração perceptiva do corpo físico do Ser, entendendo-os como círculos infinitos de representações que se repetem a medida que são gerados.

Na veia atual da cultura visual, a narrativa “Ser-Cor-De-Rosa”, busca subverter a lógica do corpo como mercadoria, da imagem como realidade e estado da arte. Esta práxis visou estabelecer conexões entre os processos experimentais, a teoria crítica e o papel fundamental da imagem.

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*Mestranda em ‘Design da Imagem’ pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (PT) e especialista em ‘Fotografia: Práxis e Discurso pela UEL - Universidade Estadual de Londrina (BRA)’ e graduada em ‘Produção Multimídia’ pela Universidade Santa Cecília (BRA). E-mail: art@polippo.com

Referências

LONDERO, Rodolfo Rorato; SILVA, Michel de Oliveira. Imagens que consumimos, imagens que nos consomem: afetações do corpo na era da virtualidade. In: discursos fotográficos, Londrina, v.11,n.18,p.13-33,2015.: http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/discursosfotograficos/article/view/213 Acessado em: 22 de Novembro de 2016.

VILÉM FLUSSER. Filosofia da Caixa Preta: Ensaios para uma futura filosofia da fotografia. Rio de janeiro: Sinergia Relume Dumará, 2009.

RENNÓ, Rosangêla. Rosangêla Rennó. – São Paulo: Editora Universidade de São Paulo, 1998.

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